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Pouca ambição pra muita história


A aposta de mandar a campo um time quase todo reserva deu errado e o Atlético foi eliminado na primeira fase da Copa Sul-Americana. O empate em 0 a 0 com o San Lorenzo não foi o que o Galo precisava para avançar na competição, já que perdeu o duelo de ida por 1 a 0.

Foto: Yahoo Esportes

Como toda eliminação, essa também deixou seus ensinamentos para o clube, mais precisamente duas lições. A primeira é que os jogadores considerados reservas foram bem - até melhor do que se imaginava - e por isso merecem um voto de confiança da massa para a sequência da temporada. Tanto é verdade que o Atlético mereceu a classificação no tempo normal com um desempenho superior ao do time argentino, que jogou com sua equipe principal, incluindo os veteranos Coloccini e Mercier.

O Galo teve quase tudo mais do que o San Lorenzo. Mais posse de bola, 63% contra 37%, mais troca de passes, 452 contra 188, mais cruzamentos, 29 contra 16, mais lançamentos, 47 contra 40, e mais finalizações, 13 contra 4. Porém neste último fundamento, os comandados de Thiago Larghi não foram tão eficazes e só por isso, o Atlético não foi mais no que ele realmente necessitava, que era no placar.

E a outra lição foi para a diretoria do Atlético. A decisão de poupar os titulares ontem foi bastante criticada pela torcida, mas não foi uma decisão única do Thiago Larghi. Passou pelo crivo da diretoria, sobretudo do presidente Sérgio Sette Câmara. Ontem, ao final da partida, os torcedores presentes no Independência vaiaram o mandatário alvinegro por causa disso, e depois do jogo Sette Câmara concedeu entrevista ao canal Fox Sports e comentou o assunto.

Foto: Hoje em Dia

Disse que, a Sul-Americana é o torneio que paga pior e o que dá mais trabalho de logística, já que o clube precisa pagar tudo. Acrescentou que a Sul-Americana é a segunda divisão da Libertadores e que, se ela tivesse valor, as duas copas Conmebol que o Atlético conquistou teriam mais importância do que têm. Ao final, o presidente atleticano confirmou a prioridade no Campeonato Brasileiro, no qual ele se mostrou confiante em vencer.

Bom, vamos lá. Cada um enxerga da maneira que lhe é mais conveniente, certo?! A questão da logística é entendível, mas não é um argumento plausível para “abandonar” a Sul-Americana. O campeão do torneio desembolsará R$ 15 milhões, além da vaga assegurada na Copa Libertadores de 2019. Amigo torcedor, te pergunto, qual caminho mais fácil (teoricamente) de se chegar à Liberta do ano que vem, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil ou Sul-Americana?

Outro ponto negativo da entrevista do presidente foi quando ele cita que a Sul-Americana é a segunda divisão da Libertadores. Isso desvaloriza completamente o torneio, a Conmebol, que é a responsável pela organização, e também os times que disputam a competição. É aquela história “eu não ganhei, então não é importante”.

Foto: Hoje em Dia

Com todo respeito ao Câmara, mas é um pensamento muito pequeno para um profissional que ocupa um cargo alto em um clube de expressão. Independentemente do campeonato, o Atlético tem que entrar para ganhar, pois fez sua história assim, disputando e ganhando títulos. Se Sette Câmara pensa desta forma então, por que o Atlético participou da Florida Cup? Por que o Atlético jogou com time titular na Argentina?

É muita falta de respeito ao torcedor alvinegro. Talvez o presidente não saiba, mas o hino do Atlético deixa bem claro a filosofia do clube “vencer, vencer, vencer, esse é o nosso ideal”.  

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